Meditação e os estados de humor


Meditação e os estados de humor, um caminho para a clareza da consciência e do autoconhecimento.

Observa-te a ti mesmo.

Artigo baseado na obra: Atenção plena, de Mark Williams.


Os estados de humor

O cotidiano é composto de atividades que seguem o ritmo alucinante da modernidade.

Os eventos externos vão influenciados nossos estados internos de humor e, assim, nosso estado de humor fica sujeito a inúmeras alteração durante o dia.

Alguns estados de humor passam a ser repetidos e se tornam padrões de pensamento e comportamento e, desta forma, um evento externo que suscita, por exemplo, a depressão ou a ansiedade se torna um padrão até patológico.

O autor comenta que um breve momento de irritação é capaz de deixá-lo de mau humor o dia inteiro.

O estado de humor, porém, nem chega a ser o principal problema. O problema principal é a maneira como a pessoa reage ao estado de humor.

Problemas, insatisfações e contrariedades são inevitáveis na vida, portanto, quando não se pode mudar o caminho cabe a mudança da atitude do caminhante.

Porém, ao se tentar descobrir a causa da infelicidade buscam-se as causas que a originaram e a pessoa, então, revive antigas feridas que, por sua vez, promove o desejo de evitar o sofrimento futuro que gera a ansiedade.

Aparece a situação de um círculo vicioso.

Há dentro da mente um “crítico interno” que piora ainda mais a situação atuando como um carrasco de si mesmo.

Sofre-se com a memória ao reviver a dor.

Sofre-se com a imaginação ao buscar evitar a dor futura.

É assim que surge a depressão, a ansiedade, o estresse…

É assim que um grão de tristeza pode produzir um estado de humor de tristeza intensa e duradoura.


Meditação e os estados de humor

O maior problema para quem tenta meditar é o enxame de pensamentos que surge quando se busca silenciar a mente.

Este enxame de pensamentos são lembranças de algo acontecido ou algo a se fazer.

Lembranças são artefatos da memória.

É realmente muito difícil evitar este enxame de pensamentos, mas é possível mudar a atitude diante deles.

A lembrança é um evento interno e assim como o evento externo influencia o estado de humor.

Escrevi linhas atrás o seguinte: O problema principal é a maneira como a pessoa reage ao estado de humor.

Aqui o autor destaca o benefício da meditação da atenção plena. Diz o autor:

A meditação da atenção plena ensina você a reconhecer lembranças e pensamentos prejudiciais assim que surgirem.

Ela o faz se dar conta de que as lembranças não passam de lembranças, e que, portanto, não são reais.

Não são você.

Você aprende a observar os pensamentos negativos no momento em que surgem e a vê-los evaporar diante de seus olhos.

Quando isso ocorre, uma sensação profunda de felicidade e paz o invade.

A prática da meditação oferece à mente uma maneira alternativa de lidar com os eventos ao propor o papel da pessoa ser um observador de si mesmo.

A meditação faz com que o indivíduo observe seus próprios pensamentos e ao ser um observador se desidentifica com estes ao perceber que a pessoa é o observador e os pensamentos são coisas que estão sendo observadas.

O autor explica:

A maioria das pessoas conhece apenas o lado analítico da mente, o processo de produção de pensamentos, julgamentos, planejamento  e busca por lembranças antigas para encontrar soluções semelhantes.

Mas a mente também é consciente.

Não apenas pensamos sobre coisas: temos consciência de que estamos pensando.

Não precisamos da linguagem para intermediar nossa relação com o mundo.

Podemos experimentá-lo diretamente por meio dos sentidos: somos capazes de ouvir o som dos pássaros, de sentir o perfume das flores e de ver o sorriso da pessoa amada.

Sabemos tanto com o coração quanto com a cabeça.

A capacidade de pensar não resume a experiência consciente.

A mente é maior e mais abrangente do que o pensamento.

É assim que a meditação produz tal clareza mental que nos permite a desidentificação com sentimentos e pensamentos, bem como como eventos externos e internos.

A meditação capacita nossa mente a não ser apenas mecânica e reagir através de padrões mentais.

A meditação possibilita que a mente atue com uma consciência plena, pura e sincera, ou seja, desprovida das influências de eventos e padrões de pensamento e sentimento.

Meditar é estar consigo e para se autoconhecer é preciso que isso aconteça.

Paulo Rogério da Motta


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