Circunstâncias e sentido da vida


Circunstâncias e sentido da vida, a primeira deveria levar à segunda, mas nem todas as circunstâncias da vida fazem com que a vida tenha sentido.
E o ser humano é alguém que vive buscando significado para a vida e que não se contenta nem se conforma que a vida seja desprovida de sentido.


Circunstâncias e sentido da vida

Joseph B. Fabri, em sua obra: A busca de significado, diz que existem pelo menos cinco circunstâncias que revelam o sentido procurado pelo ser humano.
São as seguintes:

  • Descobrir a verdade sobre si mesmo
  • Tomar consciência de que pode escolher
  • Descobrir que se é único
  • Viver com responsabilidade
  • Transcender os interesses pessoais

Descobrir a verdade sobre si mesmo
A descoberta é empírica e pode acontecer numa experiência pessoal ou por algo que vimos, ouvimos, lemos, imaginamos ou sonhamos.
O autor ressalta que a descoberta tem que ser da pessoa e diz:

De fato, é assim que sou. É assim que sinto, penso e reajo; estas são minhas virtudes, estes são meus defeitos.

A vida impõe que o ser humano tenha que usar máscaras para desempenhar seus papeis sociais, mas estas máscaras também servem para agradar socialmente e ocultar fraquezas.
Olhar-se através das máscaras é descobrir-se e a descoberta de si mesmo é algo que promove sentido.


Tomar consciência de que pode escolher
Em qualquer situação podemos fazer escolhas, mesmo que as opções não sejam as idealizadas.
Isto é, nas situações em que a situação em si não pode ser modificada, ainda assim, há a possibilidade da escolha da atitude a se ter na situação.
O autor diz:

Podemos escolher a resignação, abandonarmo-nos à autopiedade, revoltar-nos contra uma situação inalterável ou, apesar do desespero em que nos encontramos, perguntar a nós mesmos o que poderá ser feito ainda.

O autor destaca que o sentido do sofrimento é capaz de transformar e propiciar maturidade, mesmo que em longo prazo.
O passado não pode ser reescrito, mas é o caminho para a experiência.


Descobrir que se é único
Há quem diga que ninguém é insubstituível e isto é um grande equívoco.
Partindo do pressuposto que todo ser humano é único, consequentemente ninguém pode substituir alguém igualmente.
O autor explica:

Podemos sentir-nos substituíveis como trabalhadores, eleitores, consumidores e até mesmo como cônjuge ou pai; mas existem áreas onde somos únicos.
Duas destas áreas compreendem as relações pessoais e as atividades artísticas.

Isto é, alguém pode desempenhar o mesmo papel social de outro alguém, mas não conseguirá realizar da mesma maneira porque uma pessoa é única em seu jeito de ver a vida, pensar e sentir.


Viver com responsabilidade
O ser humano possui a liberdade de escolher e isso implica que ele carrega em si a necessidade de que sua existência seja significativa.
Quando alguém não vê significado em sua existência o que ocorre é a constatação de que suas escolhas não promovem sentido em sua vida.
Viver com responsabilidade se constitui na transcendência do egocentrismo e o autor explica:

As perguntas: “Quem sou eu?” e “Quais são meus objetivos?” deverão ser formuladas de outro modo se desejamos obter respostas significativas: “Quem devo ser?”, “Quais são meus potenciais?” e “Que devo fazer, não apenas para adaptar-me à vida, mas para melhorá-la?”.

Essa mudança de mentalidade é o que leva alguém a viver com responsabilidade.


Transcender os interesses pessoais
Alguém pode viver responsavelmente e, ainda assim, sentir o vazio existencial.
O ser humano pode encontrar soluções paliativas para o seu vazio existencial alimentando-se de efêmeros prazeres, mas a validade do prazer é curta e precisa ser buscada incessantemente para alienar e, então, não se ver o próprio vazio existencial.
Nesta questão reside a grande diferença entre prazer e realização.
O prazer é egocêntrico e se realiza em benefício próprio.
Prazeres divertem, mas são desprovidos de sentido para a vida.
O sentido acontece quando se transcende os interesses pessoais.
O autor diz:

A maioria das pessoas deseja ser livre e autossuficiente. Porém, acima de tudo, desejam ser úteis, saber para quem ou para quê vivem, trabalham, sofrem e morrem.

Essa transcendência dos interesses pessoais possibilita que se descubra o sentido na ação por outro ser humano ou por uma causa.
Isto é, o significado está na ação de servir e em amar.

Paulo Rogério da Motta


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