A alma para os gregos antigos da era homérica


A alma para os gregos antigos da era homérica representava uma ameaça para os vivos e ia para o Mundo Subterrâneo, um lugar governado pelo deus Hades.


A alma para os gregos antigos da era homérica

A era homérica da civilização grega está situada entre os séculos XII a.C. e VIII a.C., e recebeu esta denominação em razão do poeta grego Homero que foi o autor dos poemas Ilíada e Odisseia que narram a Guerra de Troia e a odisseia de Ulisses, escritos, provavelmente, no século VI a.C..

Segundo John A. Sanford, em sua obra: A jornada da alma: Um analista junguiano examina a reencarnação:

[…] os gregos da era homérica praticavam a cremação dos cadáveres. A alma […] abandonava o corpo na hora da morte e supostamente ia para Hades, mas ela podia demorar-se ao redor do corpo, como se relutasse em partir ou fosse incapaz de fazer a transição.

Para os antigos gregos da era homérica a alma desencarnada representava uma ameaça para os vivos, pois era tida como um fantasma que poderia possuir uma pessoa.

Podemos constatar a força do pensamento da Grécia antiga no ocidente ao constatarmos que, até bem recentemente, a tradição determinava que os mais próximos do morto, os carregadores do esquife, o agente funerário e seus auxiliares usassem a cor preta no enterro.

Essa prática na antiga Grécia não era uma demonstração de dor, mas tinha a intenção de proteger os que estavam estreitamente ligados ao morto, ou seja, protege-los da alma desencarnada.

Acreditava-se na possibilidade de que a alma ainda poderia pairar sobre o cadáver não enterrado.

Resquícios de tal pensamento são presentes no inconsciente do indivíduo ocidental, sendo, inclusive, feita a associação da cor preta ao luto, algo ainda muito presente nos dias atuais.

Na era homérica, a alma do morto ia para o Mundo Subterrâneo, um lugar debaixo da terra governado pelo deus Hades.

Neste caso, a alma não é nem recompensada por uma vida justa nem punida por uma vida de malefícios.

O processo da morte consistia na ideia de que a vitalidade essencial ou força vital contida na alma desaparecia após a morte, porém, havia uma forma de retardar o processo: caso a alma desencarnada bebesse sangue, ela, então, temporariamente, recuperaria a vitalidade anterior, uma vez que o sangue era considerado como revitalizante, pois nele se encontrava o elemento da alma.

Uma curiosidade: no folclore grego há uma figura chamada vrykolakas, que é uma criatura morta-viva que é bastante semelhante com a figura do vampiro nos países eslavos, porém a ideia do vampirismo é muito mais antiga, remontando até a pré-história.

Retomando o tema, desse modo, para os antigos gregos da era homérica, o corpo sem alma morre, e a alma sem corpo se exaure.

Essa antiga crença subsistiu na Grécia durante muitos séculos, passando com uma forma alterada para o cristianismo em que a palavra Hades aparece por dez vezes nos manuscritos mais antigos do Novo Testamento.

A palavra “Hades”, na Bíblia, aparece como designação do lugar onde se encontram as almas que partiram.

Uma passagem do Novo testamento é em Mateus 11,23:

“Tu, Cafarnaum, elevar-te-ás, porventura, até o céu? descerás até o Hades; porque se em Sodoma se tivessem operado os milagres que em ti se fizeram, ela teria permanecido até o dia de hoje.”.

Outra passagem é em Apocalipse 1,17:18:

“Quando o vi, caí aos seus pés como morto; e ele pôs a sua destra sobre mim, dizendo: Não temas; eu sou o primeiro e o último e o que vivo; fui morto, mas eis que estou vivo pelos séculos dos séculos, e tenho as chaves da morte e do Hades.”.

Hades na mitologia grega é o deus dos mortos e do mundo subterrâneo, equivalente na mitologia romana ao deus Plutão.

Assim,  é o mundo subterrâneo o lugar de destino das almas dos mortais após a morte.


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